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Encontrei empresas com o problema. E mesmo assim elas não precisavam da minha solução.

No meu último artigo, terminei com uma mudança importante na forma como estava procurando um ICP.

Parei de perguntar:

“Qual setor precisa de previsão de demanda?”

e comecei a perguntar:

“Em que situação um erro de previsão realmente custa dinheiro?”

Isso melhorou bastante minha investigação.

Mas, continuando as conversas com empresas, percebi que ainda faltava uma variável:

Uma empresa pode ter um problema real e, mesmo assim, não ter urgência suficiente para mudar.


“Às vezes sobra”

Continuei conversando com padarias.

A pergunta inicial era simples:

“Acontece de vocês produzirem mais ou menos produtos do que a demanda pede, e acabar sobrando ou faltando?”

Uma das respostas foi basicamente:

sim, às vezes sobra.

Quando sobra, colocam o produto em promoção.

À primeira vista, parecia um bom sinal.

Existe erro de produção. Existe uma consequência econômica.

Mas continuei perguntando.

Como decidem a produção seguinte?

A resposta mostrou que eles observam o que sobrou e usam isso para ajustar a próxima decisão.

Existe um loop:

produzir → vender → observar → ajustar → produzir novamente

Talvez exista perda.

Mas também existe um mecanismo de correção.

Isso é muito diferente de uma empresa que erra e não consegue fazer nada a respeito.


Outro caso: o processo já funciona

Outra padaria explicou que controla a quantidade produzida para manter os produtos frescos.

Alguns produtos são feitos todos os dias. Outros, dia sim, dia não.

Não havia uma reclamação concreta.

Era simplesmente o processo que eles já utilizavam.

Outra padaria foi ainda mais interessante: disse que usa histórico de vendas para decidir quanto produzir em dias futuros, comparando dias semelhantes.

Nesse caso, já existe um processo quantitativo:

venda → histórico → comparação → decisão

Talvez um modelo de machine learning pudesse melhorar essa decisão.

Mas essa não é a pergunta principal.

A pergunta é:

O processo atual está ruim o suficiente para justificar uma mudança?

Se não estiver, uma previsão estatisticamente melhor pode ter pouco valor econômico.


Então encontrei uma dor de verdade

Em outra conversa, apareceu um problema diferente.

A empresa explicou que os preços dos insumos variam diariamente.

Além disso, trabalham com vários fornecedores.

Acompanhar todos esses preços era difícil.

Agora tínhamos algo mais concreto:

dor → mecanismo → dificuldade operacional

Parecia finalmente um problema que poderia justificar uma solução.

Mas continuei perguntando.

Descobri que eles já estavam:

  • conferindo preços diretamente com os fornecedores;
  • usando um sistema que já possuíam;
  • começando a utilizar uma parte desse sistema dedicada às compras;
  • e colocando uma pessoa responsável por essa área.

Ou seja:

o problema existia, mas a empresa já estava tentando resolvê-lo.

E isso mudou completamente minha interpretação.

Não encontrei apenas uma empresa com uma dor.

Encontrei uma empresa agindo sobre a dor.

Talvez o processo novo ainda não seja perfeito. Talvez continue existindo espaço para melhorar.

Mas eu não poderia simplesmente ignorar o fato de que eles já estavam criando uma solução internamente.


Dor não é urgência

Comecei então a separar algumas coisas que antes pareciam uma só.

Uma empresa pode ter:

Dor:

“É difícil acompanhar os preços dos fornecedores.”

Impacto:

“Os insumos mudam constantemente.”

Gap:

“É difícil acompanhar tudo manualmente.”

Mas ainda falta uma pergunta:

Existe urgência para mudar?

E uma das melhores formas de descobrir isso talvez seja observar o que a empresa já fez.

Uma planilha criada especificamente para resolver o problema é evidência.

Uma pessoa contratada para acompanhar aquilo é evidência.

Uma tentativa anterior com outro sistema é evidência.

Uma mudança recente no processo é evidência.

Já:

“Seria interessante.”

é uma evidência muito mais fraca.


Isso mudou meu protocolo

Antes eu queria fazer sempre as mesmas perguntas, na mesma ordem.

Agora estou tentando fazer uma conversa mais adaptativa.

Se alguém diz:

“Às vezes sobra.”

pergunto frequência.

Se diz:

“Toda semana.”

investigo impacto.

Se diz:

“Colocamos em promoção.”

quero entender o tamanho da perda.

Se diz:

“Usamos histórico.”

quero entender como esse histórico entra na decisão.

E se diz:

“Já tentamos uma planilha.”

a próxima pergunta provavelmente é:

“E por que ela não resolveu?”

A resposta anterior deve determinar a próxima pergunta.

Não quero mais preencher um questionário.

Quero descobrir o mecanismo.


Um novo filtro para o ICP

Minha definição de um caso forte está ficando mais específica.

Quero encontrar negócios onde exista:

  1. erro recorrente ou crítico;
  2. impacto econômico perceptível;
  3. dificuldade para corrigir rapidamente;
  4. processo atual insuficiente;
  5. alguma tentativa anterior de melhorar;
  6. alguém responsável pelo resultado.

E existe uma diferença entre isso e um candidato real a piloto.

No piloto, quero observar ação.

Não apenas:

“Parece interessante.”

Mas:

“Pode mandar.”

E depois a pessoa realmente manda.

Nesse ponto, já não estou observando apenas opinião.

Estou observando comportamento.


Ainda não encontrei o ICP

Isso continua sendo importante.

Não concluí que padarias são o ICP.

Não concluí que confeiteiras são o ICP.

Não concluí que floriculturas são o ICP.

Também não concluí que a hipótese está errada.

O que descobri é que meu filtro anterior era fraco.

“Tem o problema?” não é suficiente.

Agora quero descobrir:

“O problema é importante o bastante para que a empresa esteja tentando mudá-lo?”

Talvez o melhor cliente não seja aquele que simplesmente tem uma dor.

Talvez seja aquele que:

tem uma dor importante, já tentou resolvê-la, ainda não conseguiu resolver suficientemente bem e está disposto a agir.

Essa é a hipótese que quero testar agora.

🔗 Projeto: https://github.com/EventHorizon-ia/EventHorizon

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Tenho acompanhado esta serie de artigos e vejo o quanto certas jornadas se repetem, o quanto ciclico eh o processo de empreender.

Na minha primeira startup (la se vao quase 30 anos), a incubadora solicitava aos empreendedores que fizessemos o curso EMPRETEC do SEBRAE, e o quanto isso foi importante para estabelecer metodologias para trabalhar o negocio de forma mais sistematizada (p.ex. criando metricas objetivas)

Posteriormente, ao estudar o PMBOK este tambem trazia/dava nomes a acoes/atitudes especificas para melhorar a gestao do negocio.

Enfim, EMPRETEC e PMBOK foram importantes para mim pois "deram nomes ao bois", saindo o "eu acho que" para algo mais tangivel no dia-a-dia.

Dito isso, pedi para o gepeto cruzar as atividades descritas no post com algumas propostas encontradas no PMBOK.

Saude e Sucesso !


A dor sozinha gera reclamação; a dor com tentativas de solução gera orçamento.

O artigo traz uma reflexão sobre a jornada de descoberta do Perfil de Cliente Ideal (ICP) e validação de produto. O autor percebe que ter um problema não significa ter a necessidade (ou urgência) de uma solução nova. Muitas empresas convivem com dores porque o processo atual, mesmo falho, possui mecanismos de mitigação suficientes e a dor não justifica o esforço da mudança. A verdadeira validação ocorre quando se encontram evidências de que o cliente já está gastando tempo ou dinheiro tentando resolver o problema de forma improvisada.

Ao cruzarmos essas descobertas com o PMBOK (especialmente considerando a 6ª edição e os Princípios/Domínios de Desempenho da 7ª edição), percebemos que o autor está executando processos que o PMI (Project Management Institute) considera fundamentais antes e durante a concepção de um projeto.

Aqui está o cruzamento detalhado das lições do artigo com o PMBOK:

1. Needs Assessment (Avaliação de Necessidades) e o Business Case

  • No Artigo: O autor conclui que "A pergunta é: O processo atual está ruim o suficiente para justificar uma mudança?". Se não estiver, a solução não tem valor econômico.

  • No PMBOK: Todo projeto nasce de uma necessidade de negócio. Antes de um projeto ser iniciado (ou um produto criado), o PMI prega a criação de um Business Case (Caso de Negócio), que é precedido por um Needs Assessment (Avaliação de Necessidades). O PMBOK estabelece que não basta existir um problema; o custo e o esforço do projeto (a solução) devem ser menores que os benefícios gerados. Se a "dor" atual é tolerável, o Business Case não se sustenta e o projeto não deve existir.

2. Princípio de Foco no Valor (PMBOK 7ª Edição)

  • No Artigo: Uma previsão com Machine Learning pode ser estatisticamente melhor, mas se a padaria já resolve o problema botando o pão na promoção, a solução tecnológica não entrega valor real perceptível.

  • No PMBOK: A 7ª edição do PMBOK foca no Sistema de Entrega de Valor. Projetos não existem para gerar entregáveis (ex: um software preditivo), existem para entregar Valor (ex: aumento de lucro). Se o mecanismo atual do cliente já lida bem com a situação, a nova tecnologia não entrega valor incremental que justifique sua adoção.

3. Coleta de Requisitos e Engajamento de Partes Interessadas (Stakeholders)

  • No Artigo: O autor muda sua abordagem. Deixa de usar um "questionário estático" para adotar uma "conversa adaptativa". Ele não pergunta apenas se o problema existe, mas investiga o impacto, a frequência e os mecanismos atuais.

  • No PMBOK: Na área de conhecimento de Gerenciamento do Escopo (Coletar Requisitos) e Gerenciamento das Partes Interessadas, o PMBOK recomenda o uso de técnicas interativas (entrevistas, observação, facilitação). Requisitos reais raramente são descobertos com questionários fechados. É preciso entender o ambiente do usuário e o "porquê" por trás de suas ações. O autor aplicou na prática a técnica de Elicitação de Requisitos profunda.

4. Apetite e Tolerância a Riscos (Gerenciamento de Riscos)

  • No Artigo: O autor nota que quando sobra pão, a padaria simplesmente ajusta o lote seguinte com base no que sobrou. Existe um "loop de correção".

  • No PMBOK: Toda organização tem um Apetite a Risco e um Limite de Tolerância (Risk Appetite / Risk Threshold). A padaria tem tolerância ao risco de sobra de estoque porque já tem uma estratégia de Mitigação de Risco implantada (fazer promoção e reajustar o histórico). Como o risco residual está dentro de limites aceitáveis para o dono da padaria, ele não tem "urgência" de comprar um projeto para eliminar esse risco.

5. Gestão de Mudanças e Prontidão (Change Management)

  • No Artigo: O autor percebe que uma empresa só é um bom cliente (ICP) se ela já demonstra ações para resolver a dor (ex: criou uma planilha, destacou um funcionário para a tarefa). Isso mostra urgência.

  • No PMBOK: Para que o resultado de um projeto seja adotado, a organização precisa ter Prontidão para a Mudança (Organizational Readiness). Se os stakeholders não sentem urgência ou já estão confortáveis com o status quo, o projeto sofrerá forte resistência na transição. Buscar evidências de que a empresa já tentou resolver o problema indica que há patrocínio (Sponsorship) e vontade política para absorver a solução entregue pelo projeto.

Resumo da Análise

O que o autor do artigo chama de "novo filtro para o ICP", na linguagem do PMBOK seria o equivalente a critérios rigorosos de seleção e iniciação de projetos. Ele está evitando o erro clássico de gerenciamento de projetos de escopo fechado: construir o produto perfeito (a solução de Machine Learning) para um cliente que não tem um Business Case sólido o suficiente para adotá-lo.

É fascinante notar como a investigação de campo chegou, de forma empírica, aos mesmos fundamentos que metodologias globais de gestão, como o PMBOK (do Project Management Institute), consolidam em suas diretrizes.

Não está apenas refinando o ICP; está aplicando conceitos de Análise de Viabilidade (Business Case) e Gestão de Prontidão para Mudança.

A padaria que faz promoções com a sobra do pão é um exemplo perfeito de Tolerância a Riscos. A empresa possui um risco (produzir a mais) e já aplicou uma mitigação (fazer promoção e usar o histórico no dia seguinte). Como esse mecanismo mantém o impacto financeiro dentro de um limite tolerável para eles, o custo e o esforço de implementar uma solução de Machine Learning simplesmente não se pagam.

Sob a ótica do PMBOK, o "Sistema de Entrega de Valor" não se sustenta aí, pois a tecnologia não entregaria um valor incremental que justificasse a mudança de processo.

A mudança de abordagem — de um questionário estático para uma investigação focada no mecanismo de tomada de decisão — é exatamente o que as boas práticas chamam de Elicitação Profunda de Requisitos. Parar de perguntar "o que você quer/sofre?" e passou a observar o "por que" e "como" eles operam no dia a dia.

Ao definir que o cliente ideal é aquele que já tentou criar uma planilha ou destacou alguém para o problema, está mapeando a Prontidão Organizacional para a Mudança (Organizational Readiness). Vender inovação para quem já sofre ativamente e tenta "remendar" o problema significa encontrar um cliente que já tem o patrocínio interno (Sponsorship) e a vontade política necessários para fazer a sua solução dar certo.

O filtro deixou de ser apenas uma busca por quem tem o problema, para se tornar um critério de qualificação de projetos viáveis.


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Cara, muito obrigado pela análise! Eu não tinha pensado em fazer essa conexão explícita com PMBOK, mas lendo o que você escreveu, realmente tem vários pontos em comum com o que estamos descobrindo empiricamente

A parte que mais me chamou atenção foi essa ideia de sair do “eu acho que existe um problema” para tentar encontrar evidências objetivas de que ele realmente justifica uma mudança. Foi justamente essa mudança de mentalidade que aconteceu durante os experimentos.

Também achei interessante a relação entre as tentativas anteriores de solução e a ideia de prontidão para mudança. No nosso caso, começamos a perceber que uma empresa ter dor não significa necessariamente que exista uma oportunidade: às vezes ela já criou um processo interno suficientemente bom, ou já está resolvendo aquilo de outra forma.

Claro que eu ainda não diria que o processo que estamos fazendo “é PMBOK” ou que o PMBOK valida cientificamente a nossa metodologia. Por enquanto, vejo mais como uma convergência interessante entre uma investigação empírica e conceitos que já foram sistematizados em gestão

E fiquei curioso com uma coisa que você comentou: na sua experiência, você já viu casos em que uma empresa tinha um problema que realmente gerava impacto, mas mesmo assim não conseguia justificar um projeto ou uma mudança? O que normalmente fazia essa iniciativa não avançar?

Acho que isso conversa bastante com o que estamos tentando descobrir agora: não apenas onde existe dor, mas em que condições essa dor realmente gera disposição para mudar

Obrigado mesmo por acompanhar a série e por ter feito essa análise. Foi uma das respostas que mais me fez pensar até agora

E essa parte de “dar nome aos bois” também foi uma ótima descrição. Acho que é exatamente o que estou tentando fazer com o EventHorizon: transformar coisas que inicialmente parecem muito subjetivas — “acho que esse negócio precisa de previsão”, “acho que isso dói”, “acho que alguém pagaria” — em hipóteses que possam ser testadas

Obrigado mesmo por ter acompanhado a série e dedicado esse tempo para fazer essa análise. Foi provavelmente uma das respostas que mais me fez pensar até agora

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Fico contente se meu comentario foi util de alguma forma !

Confesso que considero o PMBOK "overengineering" em diversas situacoes, mas ao mesmo tempo gosto da ideia de que existe uma documentacao sobre gestao que aborda muitos dos problemas que enfrentamos no dia-a-dia (aqui acho que eh o trabalho do DEV: ancorar na realidade/vivencia aquilo que a IA gera como codigo).

Outra confissao: gostei do aforismo que o gepeto produziu baseado nas percepcoes que voce colocou no post

A dor sozinha gera reclamação; a dor com tentativas de solução gera orçamento.

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cara, eh isso mesmo, nem todo mundo precisa de um jarvis
muito legal acompanhar essa experiencia, melhor ainda quando nao eh a gente quem esta apanhando pra aprender auhe