Vamos aos cenários que a sua ingenuidade não alcança:
- Pais que ativamente exploram e monetizam a rotina dos filhos (influenciadores mirins), vendendo a privacidade e erotizando as crianças para atrair engajamento de pedófilos em troca de patrocínio. (É por isso que a nova lei agora exige alvará judicial para essa monetização).
- Lares onde a mãe solo trabalha em três turnos e o celular é a única 'babá' disponível, deixando a criança à mercê de algoritmos de rolagem infinita e autoplay desenhados em laboratório para viciar o córtex pré-frontal.
- Pais abusivos ou negligentes que fecham os olhos para o aliciamento em chats de jogos porque a criança está ganhando 'presentes virtuais' de estranhos.
O Artigo 227 da Constituição diz que a proteção é dever da família, da sociedade E do Estado. O Estado intervém regulando as Big Techs justamente porque depender exclusivamente da 'boa vontade' da família é uma sentença de morte para milhões de crianças que vivem em lares disfuncionais.
Achar que 'é só dizer não' resolve o problema estrutural do capitalismo de vigilância é atestado de cegueira social e técnica.