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Estamos vivendo um novo normal. E ele não é bom

A Google iniciou um novo "(des)serviço" na sua busca, você pode já entrar no modo de IA de forma direta. E isso traz alguns problemas. Mais alguns.

O que já tinha destruído boa parte do tráfego dos sites, tirando muitas vezes a monetização dos criadores de conteúdo, agora vem com força para acabar de vez.

Fake news

É verdade que em parte é para se comemorar, porque criadores de conteúdo estão (logo será "estavam") dominando o que você achava quando procurava por alguma informação. Cada vez mais ficamos reféns de criadores de conteúdo "profissionais", que faziam aquilo para lucrar de alguma forma. Até aí tudo bem, toda comunicação pública foi assim. Os jornais sempre fizeram isso em maior ou menor grau, cada veículo com o nível de "agressividade" no conteúdo criado, mas os criadores de web foram cada dia mais agressivos e o objetivo único era lucrar, não era informar. As pessoas começaram automatizar o processo de plágio para que o seu conteúdo estivesse em primeiro lugar em uma busca. E o criador já sabia que duraria pouco e teria que fazer mais, mas virou a profissão deles.

O problema é que você precisa de um buscador para achar o que deseja. E o conteúdo original começou perder espaço. E não é só no Google Search, contaminou tudo criando uma relação de ruído muito grande. Para acabar coisa boa cada vez mais passou ser uma questão de achar alguém indicando, voltando ao modelo original do Yahoo", Cadê?, DMOZ, porém de forma extremamente descentralizada, ou seja, você tem que dar muita sorte de receber uma boa indicação. Em alguns casos recebi aqui no Tabnews, assim como recebi muito no Stack Overflow e outros lugares.

E esses lugares estão desaparecendo. Na verdade, quase todos os lugares estão desaparecendo.

Se você é observador do comportamento humano dos "civis" (fazendo uma alusão a nós que entendemos melhor o funcionamento de tudo isso como se fossemos militares do assunto), grande parte das pessoas já estavam considerando que a internet era o Facebook, Instagram ou outras plataformas dessas. E o Google já estava se tornando o ponto de partida e chegada, sem dar um passo, de quem procura por algo. Porque o snippet de informação que o Gemini entrega como primeiro resultado era suficiente para a maioria. Eu mesmo fico com ele se o que procuro não é algo importante.

Bem, estávamos em uma situação delicada porque muita fake news estava sendo criada, por humanos, com interesses diversos, e grande parte das pessoas compravam isso tudo. Existia porque tin ha consumidor. Isso era terrível e não tem solução fácil, até mesmo a solução que parece funcionar para alguns não resolve, que é a censura. Nem vou entrar nas questões porque isso pode ser pior.

A IA, leia-se Gemini, começou entregar essas fake news de uma forma própria e de certa maneira validando o conteúdo. Embora todos têm a opção de não olhar para isso, quase ninguém o faz. E se fizer, ainda pode cair na fake news original, mesmo que talvez só seja uma cópia da original, e é pior porque você nem sabe que foi criada por uma IA baseando-se na original fake.

Stack Overflow

Eu não sei se foi coincidência ou não, mas de uns tempos pra cá questões relacionadas à computação que me entregavam muitas páginas do Stack Overflow, eventualmente do Quora, especialmente as primeiras respostas de lá que eram muito boas, e me ajudava. Agora praticamente sumiu e entrega muitas páginas do Reddit, que, embora, dependa do sub, de forma geral é mais afeito a ter informações ruins, ele é bem pouco moderado. Se você não entende isso, perceba que o SO era tão criticado por alguns porque ele era uma ótima fonte e se fizesse o que alguns queriam, ele deixaria de ser, e de fato começou piorar justamente porque passou aceitar muita coisa ruim. Se ele fosse só composto por material ruim as pessoas só deixariam eel de lado, mas elas queriam participar do que era bom.

Não há a menor dúvida que a IA ajudou matar o SO de vez, já que as pessoas podiam achar a informação que desejam como desejam em outro lugar sem que houvesse curadoria e que ela não seria barrada, então ficou cômodo abandonar o SO, ainda mais para que não consegue raciocinar sobre a complexidade de como isso funciona. Entramos de vez na era do "eu quero agora não importa como" e assim as pessoas passaram se contentar com pouco. As pessoas preferem ser agradadas do que desafiadas.

Por isso cursos ruins são bem vendidos, e cursos bons está sendo relegados. Por isso tem muita gente não conseguindo emprego e muita empresa não conseguindo preencher as vas, afinal ela precisa mais que nunca de pessoas que aceitem desafios, porque a receita de bolo a IA está ajudando cada vez mais (embora tenha seus problemas, mas isso é outro assunto). Se você ver muita gente dizendo que um curso é bom, provavelmente ele é ruim, porque ele foi feito para agradar as pessoas. Por isso as pessoas preferem cursos de influencers aos cursos superiores de instituições ainda sérias.

Eu fiz muitos testes de busca sobre vários assuntos que eu sei que tem respostas brilhantes no SO que passaram a ser enterradas no meio do lixo que começou se produzir lá, em alguns casos até se você colocar a exata pergunta do SO, não aparece na busca (e a busca próprio do SO era uma porcaria). Cada dia as respostas do SO sumiam dos resultados da busca e mesmo sem perceber as pessoas passaram se contentar como algo pior e até com os snippets de resposta da IA que não se baseava nessas respostas brilhantes mas em informação fraca ou mitos espalhados por aí.

AI Mode

Agora o AI Mode deu um passo a mais para ser usado, entregando textos "melhores" e não dando opções de informação já que o Google Search está, por enquanto, permitindo que você já gere a resposta da IA "mais completa" e nem veja os links. É claro que a maioria das pessoas, até as não muito preguiçosas, vão acabar usando isso.

Rapidamente eu vi que esses textos são muito convincentes, mas mais que antes, eles acabam pegando informações ruins ou falsas e passam "legitimar" como verdadeiras. Eu não tenho dúvida que as pessoas vão começar citar esses textos como referência para fundamentar suas crenças. Até já vi alguns casos antes.

Da mesma forma que é difícil achar alguém que sabe votar (eu não sei porque eu não tenho acesso a todas as informações para conseguir isso), as pessoas não sabem usar a IA, elas usam, assim como votam, baseando-se em crenças. E tudo será feito de forma que fica quase impossível escapar dessa situação. Eu sou uma pessoa, ainda que existam fake news dizendo que eu sou o bot :P

Vou te mostrar como ficará mais complicado. Abra 3 abas do navegador e cole este mesmo link em cada uma das 3: https://www.google.com/search?q=fale+sobre+a+situa%C3%A7%C3%A3o+do+Stack+Overflow+hoje.+O+Gemini+o+matou%3F&udm=50. Cada uma deu uma resposta diferente, né? E se você for insistindo, vai mudando mais. Você passa ter literalmente infinitos autores. Consegue perceber o problema que é isso? Se antes já era difícil achar uma informação canônica, até mesmo porque que consegue propagar certos discursos sempre obteve mais resultado que formalizações de conhecimento, por isso aprendendo tanta coisa errada na computação hoje em dia e que certamente acontece em todas as áreas (tenho relatos que até mesmo áreas extremamente acadêmicas estão se perdendo).

Outro ponto que pode notar é o discurso de que o SO afundou por causa de fechamentos de perguntas legítimas. Se a IA disse, é verdade, certo? Bem, é fato que existem algumas pessoas que reclamaram do SO e argumentaram isso que a IA está escrevendo. Mas eram perguntas legítimas mesmo? Minha experiência mostra que quase nenhuma dessas reclamações eram verdadeiras e geralmente quem posta algo sequer se deu ao trabalho de fazer uma avaliação criteriosa, ela só gastou um pouco do tempo para desabafar, para se sentir "vingado". De fato, muitas pessoas hoje "soltam rojões" porque o SO na prática acabou. Elas "estão vingadas". è o ódio movendo o comportamento.

E a IA passa repetir esse discurso. Pode ser que em alguma das versões que você pegou do texto que a IA gerou não fale isso, mas a maioria está falando. È o que ele tem de informação. E quase ninguém contestou isso de forma fundamentada, até porque desmentir algo dá muito mais trabalho. Pra IA só vale a estatística, portanto se dois lugares falam algo um terceiro que fale o oposto será desconsiderado.

Se o futuro do mundo tiver que ser decidido em um quarto fechado entre O Albert Einstein e 2 bêbados analfabetos, cheia de crenças, vieses e preconceitos, você quer que que a maioria decida ou quem tem melhores informações? Eu não sei qual resultado será melhor, é impossível eu saber, mas eu prefiro a aposta segura, a fundamentada em concretudes.

Usei esse exemplo apenas para mostrar os problemas que vamos enfrentar daqui pra frente. Esse é o novo normal. Nem estou clamando para que as pessoas se rebelem e não deixe acontecer. Vai acontecer! Só espero que algumas pessoas reflitam sobre isso e tente fazer o seu mundo um pouco melhor.

Para deixar claro, eu achei bom que o SO "acabou", foi até tarde demais, ele deveria ter acabado antes do ruído ser maior que a música.

Wikipedia despencando em acesso, outro problema. Image sites isolados e blogs de pessoas sensacionais que não aparecerão mais em buscas. Veja como ficará o momento de trevas em que a mentira dita duas vezes vai ganhar da verdade dita uma, de forma "validada" pela Google. Vamos ter saudades dos algoritmos pouco intrusivos (que achávamos que eram muito intrusivos).

Conclusão

Pior é saber que qualquer tentativa de salvar-se disso falhará ou causará problema até pior. E virão outras iniciativas que piorará mais ainda.

Se a Google está destruindo sua principal fonte de receita, o que acontecerá com nós, produtos?

Um dos motivos de ter postado isso é tentar obter mais informações sobre o assunto. O que está difícil, tem poucas pessoas que conseguem acrescentar algo relevante aqui. Algo que aconteceu com o SO, as pessoas que podiam informar bem foram desistindo de participar porque o ruído era muito grande. Não foi o fechamento de perguntas de iniciou a derrocada do SO, quem vive bem de perto e analisou todos os dados sabe que foi a falta de perguntas boas. Contribua com o que puder, eu não consigo ver tudo ao meu redor ainda, é um problema muito complexo.

Quantos problemas você vê no texto que recebeu do Gemini?

A internet deu voz aos imbecís, e a IA agora endossa.

Pouco depois que postei achei isto: https://news.ycombinator.com/item?id=48214449.

S2


Farei algo que muitos pedem para aprender a programar corretamente, gratuitamente (não vendo nada, é retribuição na minha aposentadoria) (links aqui).

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Eu vou escrever um monte de ideia solta que seu texto me fez pensar. Não sei se ajuda a discussão, talvez eu esteja só puxando fios demais, mas escrever sempre ajuda e parte disso já estava na gaveta há um tempo.

O problema não é a IA na busca. Isso é sintoma. O problema é que estamos assistindo ao fim da verdade . Antes da IA, a internet já era ruim, claro, mas ainda havia uma coisa: fonte. Torta, falha, manipulada, imperfeita, questionável mas fonte.

Havia um autor. Alguém podia passar vergonha. Alguém podia apanhar na rua. Alguém podia responder pelo erro. A diferença entre IA como ferramenta e IA como substituta não está no quanto ela tocou no texto. Está em quem assina embaixo. Se eu uso IA para escrever melhor algo que eu sei ou vivi, ainda existe o meu testemunho.

A verdade pública, social, jurídica e científica sempre dependeu de testemunho de algém. As pessoas sempre mentiram. A internet e AI só ajuduram a fazer isso em escala muito maior.

O problema mesmo, que eu chamo de fim da história, começa quando ninguém assina.

E digo história no sentido mais literal possível, a disciplina que a gente estudava no colégio. Porque história é apenas uma cadeia de testemunhos.

Alguém escreveu que viu.
Ou escreveu que ouviu de alguém que viu.
Ou copiou o relato de alguém que dizia conhecer alguém que esteve lá.
Depois outro alguém preservou o manuscrito.
Outro traduziu.
Outro comparou versões.

E todos esses “outros” ainda eram alguém. Tinham nome. Tinham reputação. Tinham contexto. Tinham inimigos. Tinham interesses. Tinham limites. Podiam estar errados, claro. Muitas vezes estavam. Podiam mentir. Podiam exagerar. Podiam copiar mal. Podiam entender errado.

Mas assinavam. Quando ninguém assina, acabou a história no sentido literal. Não porque os fatos desapareceram. Mas porque o texto sem autor é apenas uma simulação da realidade. Isso vai nos leva diretamente para o famigerado teste de turing.

O que está escrito lá não é o que as pessoas acham. Está escrito é que existe um jogo entre um homem e uma mulher. O interrogador, separado dos dois por uma parede, faz perguntas e recebe respostas escritas e tem que descobrir qual é qual. O homem mente, tenta passar por mulher. A mulher diz a verdade. Aí Turing faz a pergunta e se trocarmos o homem por uma máquina. Pronto, é isso.

Agora repara que essa formulação de 1950 pressupõe: o homem é homem, a mulher é mulher e ninguém na sala questiona isso. Hoje em alguns lugares do mundo, você faz questiona e apanha ou é processado ou é cancelado.

E não estou aqui tomando partido em nenhuma direção, o que eu estou registrando que o teste só funciona porque existe uma verdade fora da sala. A mulher é mesmo mulher. A brincadeira era ver se a simulação enganava o interrogador a respeito do fato que continuava existindo lá fora. Sem o fato não tem jogo.

As máquinas não passaram no Teste de Turing porque ficaram mais inteligentes. Passaram porque o interrogador ficou mais burro. Ou foi embora. Ou desistiu.

E o AI Mode do Google e o fim da história que eu descrevi lá em cima, é só o grande acelerador disso tudo. Não é a causa. A IA não criou a pós-verdade. Os modelos são produto dela.

E aqui tem um refinamento importante, porque a forma fácil de dizer isso é "a IA endossa o imbecil". Não. É pior. Muito pior.

A IA não endossa o imbecil. A IA dissolve a categoria de imbecil.
Endosso ainda pressupõe que existe "imbecil" como categoria distinguível de "não-imbecil". Mas o que está acontecendo é que imbecil e não-imbecil entram no corpus de treinamento com o mesmo status, são tratados como dados equivalentes e o que sai é a média dos dois. Não tem mais imbecil. Não tem mais sábio.

E o artigo do Turing, não para por aí, ele dedica um trecho não-trivial do artigo de 1950 ao que ele chama de extra-sensory perception. Telepatia. Em bom português. Ele leva a sério. Cita os estudos. Escreve que, se a telepatia for real, é uma objeção forte à possibilidade de máquinas pensantes. Está lá, no texto original, qualquer um pode conferir.

O mundo ficou com a máquina capaz de enganar humanos e enterrou nas notas-de-rodapé o fato de que o pai da computação achava plausível que existe um canal de informação entre mentes humanas que não passa pelos cinco sentidos e que esse canal, se existir, é precisamente aquilo que máquinas jamais terão.

A telepatia do Turing tem outros nomes. Os hindus chamam de ajna chakra, o terceiro olho. Os cristãos chamam de Espírito Santo e Jesus disse com todas as letras, Lucas 17:21: "o Reino de Deus está dentro de vós." Dentro.

O “olho que tudo vê” não é só símbolo maçônico, muito menos logotipo de teoria da conspiração. A ideia é muito mais antiga. Ela atravessa Egito, tradições hebraicas, hinduísmo, cristianismo, xamãnicas, indígenas.

Povos que nunca se encontraram, em épocas diferentes, falando línguas diferentes, usando símbolos diferentes, por métodos diferentes - jejum, vigília, isolamento, meditação, oração, dança ritual, canto repetitivo, plantas sagradas, contemplação, silêncio - acabam descrevendo variações assustadoramente parecidas da mesma experiência.

O tempo muda.
A separação entre sujeito e mundo parece dissolver.
Surge uma sensação de unidade.
A realidade física parece só uma camada superficial.
Há uma luz, uma presença, uma inteligência, um todo, um centro, um espírito, uma consciência maior, um Deus (cada tradição dá um nome).

E qualquer um pode verificar que existe mesmo. Não é fé cega. Não é "acredite porque eu mandei". Basta praticar qualquer uma dessas técnicas.

A máquina opera no mundo físico. Apenas no mundo físico. Nada além disso. E quanto mais dependentes ficamos dela, mais amarrados ficamos no mundo físico que é justamente, o avesso do ensinamento. O ensinamento todo de Jesus e de todo Buda é para a gente sair do mundo físico.

E é por isso que eu fico pensando, ultimamente, nas pessoas olhando pra tela à noite e me vem sempre a mesma imagem: mariposa na luz.

A mariposa não está olhando pra luz porque a luz é importante. Ela está olhando pra luz porque o sistema nervoso dela foi calibrado, ao longo de cem milhões de anos, pra usar a lua como referência de navegação e a luz artificial é um bug que sequestra esse circuito antigo. A mariposa fica girando em volta. Gira. Gira. Às vezes morre por exaustão. Às vezes queima na lâmpada. Nunca chegou a lugar nenhum, porque o lugar pra onde ela está sendo puxada não existe.

Somos nós. O ser humano foi feito pra ler estrelas, fogueira, rosto de gente próxima, mato mexendo no escuro, pra prestar atenção quieto numa coisa real até a coisa real se revelar. E a tela é uma lâmpada. E a gente está girando. girando. girando. girando.

Então meu diagnóstico final é: só Jesus salva.
Não Jesus o homem. Esse existiu, provavelmente, andou pela Galileia, foi crucificado e a gente até sabe que Jesus nem era o nome real dele. Jesus Cristo, no que importa, é a metáfora de encontrar Deus.

Jung chamou de integrar a sombra.
Os hindus chamam de moksha.
Os budistas de nirvana.
Os sufis de fana.
Os cabalistas de devekut.
Os xamãs amazônicos têm um nome em cada língua.\

Mesma coisa. E o que importa, o que importa de verdade, é que nada disso está atrás de uma tela. Nunca esteve. Nunca vai estar.

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Muito bom. Discordo de um ou outro detalhe, mas é exatamente isso.

Vou só acrescentar algo que entendo ser útil: eu parei de olhar para telas no momento que é para dormir, e meu sono melhorou muito, assim meu novo dia passou ser melhor. Infelzimente tem outras coisas que ainda atrapalham e não me sinto tão lúcido quanto eu era antes. Fica a dica pra quem virou mariposa.

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É incrivelmente trágico ver como essa dinâmica do acesso e a busca à informação está indo em direção a um cenário caótico, e não é de hoje que venho percebendo isso. Antes do boom das IAs generativas e os grandes LLMs do mercado, era relativamente fácil de perceber que já existia uma "dificuldade" das pessoas, no geral, pesquisarem sobre a veracidade das informações que obtinham. Com o advento das IAs, só piorou.

Existe um meme não tão antigo, o "passou de duas linhas, nem leio", que reflete uma parte do problema. As pessoas estão perdendo o interesse em ler, pois isso exige um custo, um esforço. Na pesquisa de uma informação, isso se reflete na preguiça de conferir fontes, pesquisar mais a fundo e confrontar as informações, porque não querem gastar tempo com isso, e é nesse ponto onde essas IAs exploram com força, pois se você não quer gastar tempo com isso, deixe que a IA faça por você.
O custo disso, no final, se torna a precisão, o controle e a veracidade da informação.

Outro ponto que vejo, que de certa forma contribui também para esse problema, envolve em saber perguntar. Antes das IAs, era muito comum eu ver alguém que não sabia formular uma pergunta ou pesquisa no Google. Isso resultava em respostas imprecisas do Google e até ruídos demais, dificultando a pessoa de obter a resposta que queria.
Com a mudança para o uso de IA para fazer pesquisas, as coisas mudaram de "não saber pesquisar" para "não saber fazer um prompt". Se tornou comum eu ver pessoas perguntando coisas de forma enviesada para uma IA e ela simplesmente concordando com a pessoa, devido ao viés aplicado no prompt (algumas dessas pessoas até me confrontavam, usando a IA como fonte da informação).

Infelizmente, como você disse, não tem como simplesmente impedir esse "novo normal" de acontecer. O máximo que consigo é fazer as pessoas ao meu redor se conscientizarem sobre o uso de IA e esperar que elas também reflitam, assim como você está tentando fazer.

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As IAs podem fazer textos longos e complexos hoje em dia, mas não fazem a não ser que você peça explicitamente. Por que?

passou de duas linhas, nem leio

E:

Antes das IAs, era muito comum eu ver alguém que não sabia formular uma pergunta ou pesquisa no Google

No SO acontecia muito e aí as pessoas culpavam a ferramenta (plataforma), até mais que as pessoas em alguns casos, mas a culpa nunca era dela. Pesquisando para escrever o meu texto vi alguns lugares que reclamavam do SO que eu não tinha visto antes e é incrível como as pessoas criticam mas ninguém mostra o que ela postou e foi fechado para eu avaliar se ela está certa ou não. A única coisa que importa é a narrativa, não os fatos.

E eu vi ano a ano as perguntas piorarem, da mesma forma que uma época dei aulas por anos seguidos e cada ano nitidamente eu via os alunos com piores condições de aprendizado chegando. Isso é mesmo uma tragédia.

https://idiocracy.wtf/

https://www.imdb.com/title/tt0387808/

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Não sei se já teve algum contato com a geração z ou alguma mais nova que ela, mas google virou coisa de velho, agora eles usam o tiktok para aprender algo.

Isso não é uma crítica ao seu conteúdo, pelo contrário é muito relevante e algo que muitos não pararam para observar.

Porém, a geração mais nova está consumindo vídeos de 1 min e tomando como verdade absoluta, pode parecer loucura para uma geração que pesquisava, que lia várias fontes, que aprendeu sobre programação com livros e até vídeos, porém para geração atual esse é o novo normal.

Quando eu vi isso pela primeira vez, pensei: você não está fazendo isso! Na segunda vez, eu apenas olhei e entendi. Na terceira eu só aceitei, esse é o novo normal e pouco importa se é verdade, se está incompleto ou se é alguém impondo verdades que não existem, apenas aquele 1 min ou menos virou a verdade a parti daquele momento.

Para mim, sigo buscando fontes de leitura, passei a consumir mais livros técnicos depois da IA e passei a escrever mais também, numa boa acho que as mudanças vão acontecendo ao longo do tempo e a gente vai se adaptando a isso, infelizmente o impacto vem mais a longo prazo e a conta uma hora chega, mesmo que demore.

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Sim, eu sei que o Tiktok tem esse papel, o que é ainda mais terrível. Por isso eu sempre tenho que falar do Idiocracy. Hoje se percebe até melhor isso, algumas pessoas perceberam bem antes, eu percebi no caso da série sobre os irmãos Menendez onde se iniciou uma campanha no TT para libertá-los porque eles são inocientes de terem destruído os pais (matar njão mostra o que eles fizeram). Eles passaram a crer em uma verdade que não tem nenhuma sustentação. Um dia eles podem ter um pouco mais de poder para conseguir o que se juntaram para alcançar.

Cada um pode fazer o que lhe ajuda mais a escapar um pouco disso, mas estamos limitados ao que nós mesmes controlamos, não controlamos como a sociendade vai caminhar.

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Esta sendo criada a White Web, Sites legitimos e bons que só quem conhece e sabe a relevância encontra, o Google não está perdendo receita, ele está ganhando mais, e logo vai mudar a forma como anuncios são introduzidos, eles vão aparecer no Gemini, é a unica forma de financiar a inferencia em IA gratuita das buscas.

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Pois bem, quem diria que a OpenAI pode definir a fórmula que pode acabar meio que liquidando eles na concorrência pela IA grátis.

E o Google pode ter pensado: ora, eu acabo o Adsense, mas eu compenso empurrando mais anúncios no Youtube, que está quase virando uma TV Aberta sem concessão estatal e coloco anúncios para manipular os resultados do Gemmini.

Sinceramente, eu tenho um site que depende de SEO e um site de calculadoras que depende de SEO, não sei se compensa mais. Nem se compensa mais continuar na área. Estou pensando em desistir de vez da TI antes que imploda de vez.

Conteúdo excluído
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Eu temo o dia que o humano for pior que a IA, o que já acontece em casos extremos, mas acontecerá mais e rápido. O problema não é a IA melhorar muito, sabemos que isso não acontecerá, ela terá melhoras pontuais, ferramentas extras vão ajudar obter melhores resultados, o problema é que o ser humano vai involuir. Lendo tudo aqui é a conclusão óbvia. Adoraria estar errado.

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Cara, tu já viu os robôs servindo comida?
Acredito que tem duas maneiras de vermos essas questões. O filme Idiocracy retrata um desses caminhos. Onde um cara é colocado para hibernar, a capsula dele é esquecida por cinco séculos, depois desse tempo todo a capsula é aberta acidentalmente, ele acorda e descobre que é a pessoa mais inteligente do mundo, inclusive é julgado por isso. Acorda em um mundo rodeado por lixo e pessoas quase retardadas devido ao uso excessivo de redes sociais, e olha que é de 2006, uma época em que nem havia TikTok, reels, IA, etc.
As pessoas estão delegando absolutamente tudo para IA, desde resumos de livros, artigos até mesmo delegando toda a escrita de trabalhos. É estudante usando em trabalhos da escola/faculdade, jornalista usando em matérias, até mesmo advogados usando para criar a defesa do cliente. Então, sim, realmente pode chegar um momento em que o uso excessivo de IA e vídeos curtos pode acarretar no decrécimo de QI do ser humano. Até mesmo porque nossos filhos nasceram usando YouTube, as crianças de hoje crescem usando TikTok e IA.
Mas também tem o outro lado, onde milionários podem continuar os investimentos em IA, alguns programadores continuar estudando afundo e a IA continuar a evoluir, chegará um ponto em que a IA e os robôs vão evoluir de uma maneira tão absurda, que a humanidade se tornará obsoleta. Não digo que isso possa acontecer em 10 ou 15 anos, mas sim em 40 ou 50.

E no que eu acredito? Sinceramente, não sei. Espero que seja o primeiro caminho, para que eu seja um dos programadores que consiga ainda programa. Tenho 30 anos e comecei na faculdade de Engenharia de Software final do ano passado. Vou estudar tudo o que eu puder o máximo que puder, tanto que estou fazendo um curso por fora de lógica e algoritmos em C. Quero realmente aprender da forma mais profunda que eu puder para que consiga estágio/trabalho rápido.