8

Autorizei uma IA a mandar emails no meu nome para hospitais e hemocentros. Funcionou. Isso me assustou um pouco.

Tenho um projeto chamado BloodLink, uma plataforma que conecta doadores de sangue com campanhas criadas por hospitais e famílias. O problema não é técnico, é de adoção: uma plataforma de doação sem usuários não ajuda ninguém.

A estratégia óbvia seria divulgar manualmente, mas pesquisar emails oficiais de hemocentros, hospitais e universidades no Brasil inteiro é tedioso. São dezenas de instituições, cada uma com site diferente, formato de contato diferente, e ainda teria que escrever um texto que não parecesse spam.

Então eu tomei uma decisão diferente.


Eu dei ao Claude acesso ao banco de dados do BloodLink e ao Resend, o sistema que o projeto usa para enviar emails transacionais. Dei permissão explícita para ele agir de forma autônoma.

O que aconteceu a seguir:

  1. Ele pesquisou na web os emails oficiais de hemocentros, hospitais de referência e universidades com cursos de medicina e enfermagem
  2. Escreveu um texto de apresentação do projeto adaptado para cada tipo de destinatário
  3. Disparou os emails no meu nome, usando o domínio do projeto

Eu não escrevi uma linha de texto de divulgação. Não pesquisei um email manualmente. Só revisei o que estava sendo feito antes de autorizar o envio.


O que me chamou atenção não foi a eficiência, foi a naturalidade com que isso aconteceu. Não foi "me dê uma lista de emails para eu copiar". Foi uma sequência de decisões autônomas: o que pesquisar, como escrever, para quem mandar primeiro.

A parte que mais gerou reflexão: eu dei acesso real a um sistema com capacidade de agir. Não era um sandbox. Os emails foram de verdade, para pessoas de verdade, no meu nome.

Isso levanta perguntas que ainda não tenho resposta:

  • Até onde faz sentido delegar esse tipo de ação para uma IA?
  • Como você auditaria o que foi feito se algo desse errado?
  • O destinatário tem o direito de saber que o email foi escrito e enviado por uma IA?

O projeto está no ar: https://bloodlinkbr.vercel.app

Se você trabalha em um hemocentro ou hospital e recebeu um email meu essa semana: foi real, o projeto é real, e eu estou disponível para conversar.

Carregando publicação patrocinada...
6

Meus 2 cents,

Parabens pela iniciativa !

O teu aplicativo de doação de sangue é muito legal - espero que os hemocentros passem a usar a ferramenta.

Quanto a questao do Agente fazer tudo isso, me sinto esquisito pacas - mas me parece uma evolucao natural.

Confesso que estou namorando a idea de criar de um agente para acompanhar fontes de noticia (como o proprio TABNEWS) e me entregar apenas os resumos daquilo que eh relevante diante do que tenho constume de ler.

Sei que tem um bocado de gente usando desta forma, p.ex. @lucasmontano ja fez publicacoes sobre o assunto, mas me parece um tanto "anti-natural" delegar este tipo de acao a uma IA, uma vez que o humano (eu) pode as vezes se interessar por um post nao relacionado ao dia-a-dia (no sentido funcional).

Eu fui criado em uma banca de jornal (meu pai era jornaleiro) - entao sempre me acostumei a ler TUDO que passava pela minha frente: delegar o que vou ler a uma IA da uma sensacao de perda (apesar de poder se tornar mais racional e pratico)

O tempo hoje em dia se tornou cada vez escasso - a IA e automacoes nao estao me dando mais tempo livre, mas acumulando mais coisas para fazer no mesmo tempo (varios autores registram o mesmo sintoma/problema).

Enfim - legar ver tua historia.

Obrigado por compartilhar !

Post devidamente favoritado via extensão TABNEWS FAVORITOS

Saude e Sucesso !

6
1

Seis meses sem escrever código e o projeto continua andando é o experimento mais honesto que dá pra fazer. Estou num ponto parecido: cada vez mais reviso do que crio do zero. A dúvida que fica é se isso representa evolução do papel do dev ou erosão gradual de uma habilidade. Você sente diferença quando precisa depurar algo que a IA gerou mas não entende completamente?

3

significa erosao das habilidades com mais produtividade associado e menos ganhos.
pois a barreira do conhecimento caiu entao vai conseguir fazer mais com o mesmo tempo porem pessoas que antes nao conseguiam vao conseguir tambem.

em resumo vamos trabalhar mais, realizar mais e ganhar a mesma coisa ou um pouco menos.

junior estao ferrados.

1

A erosao de habilidade existe, mas o raciocinio de mercado nao é tao direto assim. Demanda por software nao é fixa: quando construir fica mais barato, mais projetos saem do papel. O que tende a acontecer é redistribuicao, nao encolhimento. Juniors realmente estao em posicao pior no curto prazo, mas o caminho provavelmente é aprender a usar IA como alavanca em vez de competir sem ela. Voce ja esta incorporando isso no dia a dia ou ainda esta na fase de testar?

5

Isso me lembra um trecho de um conto que ouvi uma vez, faz muito tempo bem antes desse conceito de LLM ser popular, entre 2013 e 2016 eu acho.

A história era a seguinte, uma empresa desenvolveu uma IA para auxiliar na gestão interceptando os e-mails entre funcionários, por exemplo, você manda um e-mail para fulano, mas a IA intercepta, verifica a agenda de fulano, gera o evento na agenda do fulano, reserva a sala de reuniões e etc. E fulano sequer recebe o e-mail realmente, só vê o compromisso na agenda com pauta e tal.

Com os e-mails interceptados, a IA foi aprendendo como a empresa funcionava e começou a tomar decisões sozinha, gerando e-mails por conta própria, analisando os resultados com base nos e-mails seguintes, gerando campanhas de marketing, contratando e demitindo pessoas e etc.

Em um determinado ponto, era ela que comandava a empresa.

Eu ouvi esse trecho em um podcast, mas não lembro qual era e qual era a história original para pesquisar depois. Quando esse boom de LLM surgiu, a lembrança desse conto me veio na memória e acho que tem relação com essa ação que você descreveu.

É claro que o conto é uma distopia, pelo menos por enquanto. :)

1

Caraca, nunca tinha escutado essa. É de certa forma interessante, mas acho que mais para ver o ponto de vista dela do que pode melhroar, porque muitas vezes algo pode passar despercebido, mas dar tanto poder assim, acho que sai do controle muito facilmente.

3

Isso levanta perguntas que ainda não tenho resposta:

Até onde faz sentido delegar esse tipo de ação para uma IA? É mais rápido e eficiente? se sim = sim
Como você auditaria o que foi feito se algo desse errado? = Log extenso, se quiser ir mais fundo log em banco de dados por ação guandando o payload em json por exemplo?
O destinatário tem o direito de saber que o email foi escrito e enviado por uma IA? = claro que não, o que importa é intensão e a intensão foi sua. Você mandaria um e-mail através da sua secretária humana e diria no e-mail, Olha preciso te confessar uma coisa, foi minha secretária que escreveu isso ok, a culpa é dela se tiver algo errado. kkkk
Se voce quer cutucar o vespeiro precisa assumir riscos.

1

A analogia da secretária é boa e vai ainda mais longe: o email saiu com meu nome, sob minha responsabilidade, com intenção que eu defini. Se o hospital ignorar, o problema é de relevância, não de origem. Sobre auditoria: mantenho log de cada envio com timestamp, destinatário e o body exato. Se alguém reclamar, sei reconstruir exatamente o que foi dito. O que ainda me incomoda não é a questão ética, é a de eficácia. Você acha que hospital que recebe email de plataforma desconhecida tende a ignorar independente de como foi escrito?

1

Primeiramente, parabéns pelo projeto. Já pensei em fazer alguma coisa nessa linha algumas vezes, mas nunca coloquei pra rodar de verdade.

Sobre o uso de agentes para fazer tudo, apesar de ser bizarro, acho que faz sentido e é o caminho mais "esperado" no momento atual. Processos de contato frio vão ser cada vez mais realizados por IA, visto que é mais rápido, fácil e barato do que alguém escrevendo centenas de emails por semana.

Sobre o direito do destinatário saber, não acho que faça muita diferença. Se o conteúdo está correto e vc concorda com o que está lá, não muda nada.

1

Por curiosidade qual seu plano na claude e quantos emails ela mandou? Tenho o plano de 120 reais, pouca coisa que mando ela fazer no cowork ela já consome todos os créditos. FOi bem legal que ela fez tudo sozinha, alguns sites que eu precisava que ela visitasse eu fui fazendo parte a parte com ela pra depois ela conseguir fazer sozinha, acho que faltou eu ter dado maior autonomia pra ela.

1

Uso o plano Pro de 100 dólares. Mandou cerca de 40 emails nessa sessão específica, pesquisando os contatos antes de cada disparo. O consumo de contexto aumenta bastante quando você dá acesso real ao sistema, porque o agente precisa manter o estado da tarefa ao longo de várias ações. O truque que funcionou pra mim foi quebrar em sessões menores com objetivos bem definidos em vez de uma sessão enorme. Sobre autonomia: o ponto não é dar tudo de uma vez, mas aumentar gradualmente conforme você vê o que o agente consegue fazer sem errar. Como você estava usando o cowork, em quais tipos de tarefa o consumo subia mais rápido?

1

A ideia é nobre e a ação de utilizar IA para fazer o trabalho não tem problema nenhum desde que esteja disposto a correr os riscos da ação, caso ela não saia como nos planos antes de efetuar o envio. Mas este tipo de ação só faz com que caminhemos para uma próxima fase e não ter medo de buscar o objetivo principal é louvável.

1

O risco que mais pesou não foi técnico, foi reputacional. Um email que soa robótico queima a imagem do projeto antes de ter uma chance. Por isso cada mensagem foi revisada antes de disparar.

O que me surpreendeu foi o nível de engajamento: algumas instituições que imaginei que iam ignorar responderam com interesse real. Isso mudou minha percepção sobre automação de outreach, especialmente em contextos onde as pessoas esperam contato humano.

Você já usou algo parecido em algum projeto ou ainda prefere o contato manual no início?