Autorizei uma IA a mandar emails no meu nome para hospitais e hemocentros. Funcionou. Isso me assustou um pouco.
Tenho um projeto chamado BloodLink, uma plataforma que conecta doadores de sangue com campanhas criadas por hospitais e famílias. O problema não é técnico, é de adoção: uma plataforma de doação sem usuários não ajuda ninguém.
A estratégia óbvia seria divulgar manualmente, mas pesquisar emails oficiais de hemocentros, hospitais e universidades no Brasil inteiro é tedioso. São dezenas de instituições, cada uma com site diferente, formato de contato diferente, e ainda teria que escrever um texto que não parecesse spam.
Então eu tomei uma decisão diferente.
Eu dei ao Claude acesso ao banco de dados do BloodLink e ao Resend, o sistema que o projeto usa para enviar emails transacionais. Dei permissão explícita para ele agir de forma autônoma.
O que aconteceu a seguir:
- Ele pesquisou na web os emails oficiais de hemocentros, hospitais de referência e universidades com cursos de medicina e enfermagem
- Escreveu um texto de apresentação do projeto adaptado para cada tipo de destinatário
- Disparou os emails no meu nome, usando o domínio do projeto
Eu não escrevi uma linha de texto de divulgação. Não pesquisei um email manualmente. Só revisei o que estava sendo feito antes de autorizar o envio.
O que me chamou atenção não foi a eficiência, foi a naturalidade com que isso aconteceu. Não foi "me dê uma lista de emails para eu copiar". Foi uma sequência de decisões autônomas: o que pesquisar, como escrever, para quem mandar primeiro.
A parte que mais gerou reflexão: eu dei acesso real a um sistema com capacidade de agir. Não era um sandbox. Os emails foram de verdade, para pessoas de verdade, no meu nome.
Isso levanta perguntas que ainda não tenho resposta:
- Até onde faz sentido delegar esse tipo de ação para uma IA?
- Como você auditaria o que foi feito se algo desse errado?
- O destinatário tem o direito de saber que o email foi escrito e enviado por uma IA?
O projeto está no ar: https://bloodlinkbr.vercel.app
Se você trabalha em um hemocentro ou hospital e recebeu um email meu essa semana: foi real, o projeto é real, e eu estou disponível para conversar.