15

A procrastinação na era da IA: vocês também estão sentindo isso?

Hoje o TabNews está cheio de discussões sobre IA. É difícil abrir a página e não encontrar algo relacionado ao assunto — e isso faz sentido. Estamos vivendo uma das maiores transformações tecnológicas das últimas décadas.

Mas queria propor uma conversa um pouco diferente.

Acredito que a maioria de quem está lendo trabalha, estuda ou está tentando reorganizar a própria vida. E, se você está em uma fase diferente, tudo bem também. Cada um enfrenta seus desafios no próprio tempo.

Nos últimos meses percebi algo que tem me incomodado bastante: estou procrastinando mais.

Não perdi o interesse por tecnologia. Muito pelo contrário. Continuo achando fascinante tudo o que está acontecendo. O problema é outro.

Existe uma diferença entre não querer fazer e não conseguir começar.

Minha cabeça está cheia de ideias. Projetos que poderiam ajudar alguém, resolver um problema ou até gerar uma renda extra. Tenho uma "gaveta" cheia deles.

Mas eles continuam lá.

No papel.

Nas anotações.

Nas conversas.

Na imaginação.

Começar parece muito mais difícil do que sonhar.


A procrastinação nem sempre é preguiça

Uma coisa que fui percebendo é que procrastinação raramente nasce da preguiça.

Muitas vezes ela nasce do excesso.

  • Excesso de informação.
  • Excesso de opções.
  • Excesso de comparação.
  • Excesso de cobrança.

Todos os dias aparece uma ferramenta nova, um framework novo, uma IA nova, um curso prometendo acelerar sua carreira ou alguém dizendo que conseguiu resultados extraordinários em poucas semanas.

Sem perceber, nossa referência deixa de ser quem éramos ontem e passa a ser alguém que parece estar sempre dez passos na nossa frente.

E isso paralisa.

Porque, quando tudo parece importante, fica difícil decidir por onde começar.


A ironia da IA

A IA melhorou muito minha qualidade de vida no trabalho.

Hoje consigo resolver tarefas mais rápido, automatizar processos e produzir melhor.

Mas aconteceu algo curioso.

O tempo que economizei não virou descanso.

Virou mais trabalho.

Mais entregas.

Mais expectativas.

Mais responsabilidade.

No fim do dia, continuo cansado.

Só que agora de um jeito diferente.

Às vezes me pergunto se estamos usando a tecnologia para ganhar tempo... ou apenas para produzir cada vez mais.


O caminho mais fácil sempre está ali

É curioso como nosso cérebro funciona.

Abrir a Steam parece muito mais simples do que abrir uma documentação.

Assistir mais um vídeo parece mais leve do que escrever a primeira linha de um projeto.

Consumir conteúdo dá uma sensação imediata de progresso.

Produzir exige enfrentar a possibilidade de errar.

E errar incomoda.

Talvez seja por isso que tantas ideias nunca saiam da cabeça.


Talvez o problema não seja falta de capacidade

Às vezes me pego pensando:

"Será que fiquei preguiçoso?"

Logo depois aparece outra voz dizendo:

"Talvez eu só esteja cansado."

E acho que existe uma diferença enorme entre essas duas coisas.

Vivemos em uma época que vende produtividade o tempo inteiro.

São cursos.

Mentorias.

Posts.

Vídeos.

Métodos.

Rotinas perfeitas.

A sensação é que sempre estamos devendo alguma coisa.

Para a empresa.

Para a carreira.

Para nós mesmos.

Talvez por isso tanta gente se sinta insuficiente, mesmo produzindo muito mais do que produzia alguns anos atrás.


Uma reflexão

A procrastinação costuma ser tratada como um defeito moral.

Como se bastasse "ter disciplina".

Mas talvez ela seja, muitas vezes, um sintoma.

Sintoma de cansaço.

De excesso de estímulos.

De ansiedade.

Do medo de não conseguir fazer algo tão bom quanto imaginamos.

Talvez não estejamos procrastinando porque somos incapazes.

Talvez estejamos tentando sobreviver a uma época em que tudo parece urgente, importante e comparável.


E vocês?

Queria muito ouvir experiências reais.

  • O que faz vocês procrastinarem?
  • Em que momento perceberam que isso estava acontecendo?
  • Existe alguma estratégia que realmente funcionou para sair desse ciclo?
  • Como vocês conciliam trabalho, estudos, vida pessoal e ainda conseguem tocar projetos próprios?
  • A IA ajudou vocês a ganhar tempo ou apenas aumentou a quantidade de trabalho?

A ideia deste post não é encontrar uma resposta definitiva.

É abrir uma conversa honesta.

Tenho a impressão de que muita gente está vivendo exatamente isso, mas quase ninguém fala sobre o assunto.

Então, se você já passou por essa fase — ou ainda está nela — compartilhe sua experiência.

Pode ser um hábito que funcionou, uma história, um fracasso, uma mudança de perspectiva ou simplesmente um relato de como você lida com isso hoje.

Às vezes, uma resposta sincera vale mais do que dezenas de vídeos de produtividade.

E talvez a sua experiência seja justamente o empurrão que outra pessoa precisava para finalmente tirar aquele projeto da gaveta.

Carregando publicação patrocinada...
4

Tudo bem eu sou psicanalista, busquei isso apenas para me ajudar a compreender duas coisas, primeiro eu mesmo depois os clientes kkk.

Deixa eu te dar um panorama, existe um fenomeno que chamamos de paralisia de análise, quanto mais opções voce tem, mais paralisado fica justamente porque indicadores em geral se contradizem, e aqui indicadores são por exemplo projetos ou tarefas, que você analisa e não sabe qual vale apena ir em diante, justamente porque indica algo que voce ainda não conseguiu julgar se vale apena, porque quando julga que sim vem outro projeto e te diz, talvez eu seja melhor.

Sobre preguiça e procrastinação, isso pelo publico é interpretado de um jeito, mas a real é que é saudável pacas, so que as pessoas não sabem, é um mecanismo de sobrevivencia do cérebro, esse mecanismo serve para poupar energia, e poupar energia é a regra numero 1 do cérebro, ele entra em ação quando não esta claro que a ação que voce quer ou precisa fazer vale apena o gasto de energia entendeu? Ou seja preguisa e procastinação é falta de clareza no objetivo e sua recompensa. Sem voce saber o cerebro pensa, sei la se isso vale apena, eu gasto menos energia deitado olhando o feed do Instagram, isso eu conheço e é seguro, essa tarefa nova ai eu não tenho a menor ideia se vale apena. Ele sempre vai preferir a zona de conforto. É saudável e menos arriscado para ele entendeu? Agora para o mecanismo de trabalho que criamos e nosso "sistema" por assim dizer, não é saudavel, se vc não trabalha não ganha etc. Acho que o momento principalmente para quem é programador esta incentivando justamente os 2 mecanismos ininterruptamente, porque voce tem várias ideias, mas daqui 5 minutos vê alguem lançando algo parecido com ia, ai entra a paralisia de analise, depois justamente por não entender onde chegar nem como, entra a preguiça ou procrastinação. Ou seja a forma de resolver isso e não é simples nem fácil é ir cego em um objetivo, definir ele em detalhes e seguir, precisa definir ele claramente pro cerebro entender onde quer chegar e a recompensa, senão esquece, primeira chance vai sentar e comer pipoca olhando sua serie favorita.

Não se engane não são só os programadores nessa, a maioria dos jovens esta assim, os chamados nem nem, nem trabalha nem estuda, o fenomeno é o mesmo, diante das possibilidades e confusões da vida, política, insegurança juridica, trabalho mal remunerado, ocorre o mesmo fenomeno e esta crescendo no mundo todo.

https://noticias.r7.com/paraiba/portal-correio/jovens-nem-nem-crescem-no-inicio-de-2026-e-sao-62-milhoes-no-brasil-25062026/
https://news.un.org/pt/story/2024/08/1835946

1

Nossa, muito interessante ver a visão de alguém da área. Valeu mesmo por dedicar esse tempo para explicar! Achei muito interessante essa questão de o cérebro poupar energia. Faz muito sentido quando você coloca que a procrastinação muitas vezes não é falta de vontade, mas falta de clareza sobre o objetivo e a recompensa.
E essa parte da paralisia de análise me pegou também. No nosso meio é muito comum: você começa empolgado com uma ideia, aí vê alguém lançando algo parecido (ou até melhor) e parece que toda a motivação vai embora. É como se o cérebro voltasse para a estaca zero.
Gostei também da relação que você fez com o fenômeno dos "nem nem". Nunca tinha pensado por esse lado. Acho que, no fim, ter um objetivo muito bem definido realmente faz diferença. Quando sei exatamente onde quero chegar, consigo manter a consistência e terminar o que comecei. Valeu pela contribuição!

1

Você tocou na palavra chave, consistência, todos nos somos consistentes, mas infelizmente não nas coisas certas, consistência é hábito, acho que o grande dilema é se forçar a ter hábitos certos, vou te explicar como fazer sem papinho de guru ok essa é a razão científica, vou fazer uma analogia com IAs, é como se nosso cérebro tivesse um monte de modelos pequenos de ia, cada um chamado por uma situação (gatilhos), eles são autonomos se o seu cortex (decisor) estiver em stand bye (maioria das vezes para poupar energia, atenção exige o mesmo que um alampada de 20 watts ligada), os melhores em foco no mundo no maximo consegue 30 minutos e entram em standybye automatico ai os modelinhos safados entram em ação, eles são os habitos, coisas que voce faz e nem percebe, e depois grita "NAOOOO", tipo clique aqui ganhe um milhão no Tigrinho e pegue um virus https://pegaumvirustroxa.com.

O habitos são criados todos iguais, mas em velocidades diferentes quem regula isso é a quantidade de glutamato que voce tem no cerebro, quanto mais glutamato, mais rapido um modelo novo de habito é criado. E o que define a quantidade de glutamato no seu cerebro alem de alimentação claro é o Stress.

Quanto mais stress numa situação, tarefa serviço, mais glutamato no cérebro, mais rapido o habito se fixa. E pode ser muiiito rápido.

Se voce atravessar a rua olhando o celular e um carro te atropelar e voce for jogado a 15 metros de altura e quebrar as duas pernas segundos depois o habito do medo de travessar a rua olhando o celular ja estara implantado = isso é chamado de Trauma, mas é o mesmo mecanismo.

Então o segredo de novos habitos é o stress, se voce tentam implantar um habito numa boa sem stress 60 dias repetindo que nem o guru do youtube ai fala, esquece kkkkkkkkk

Tem que ser stressante pra caralho entendeu, tem que ter sangue no olho. E é ai nesse ponto que a maioria desiste, porque tem a alternativa de não seguir no stress.

Somente assim você cria uma nova rede neuronal responsavel por esse habito novo, mas não esqueça que o habito velho ainda esta lá, é fisico, mas nosso cérebro também cuida disso sozinho o "Garbage collector" dele vai atrofiando a área com o tempo, tudo que ele não usa atrofia e se perde com o tempo. E ai sim o habito novo fica definitivo e sem conflito. Como percebe é algo ai de um ano mais ou menos nada fácil, cheio de desafios pelo caminho, implantar se stressando é rapido, mas o conflito é diario por um bom tempo. Essa é a força de vontade que tem que ter e conversar consigo mesmo o principal, lembrar ao cerebro porque esse objetivo do habito é importante. Eu odeio particularmente um filosofo e cientista chamado Rene Descartes, esse cara quebrou algo que todo ser humano antes dele meio que ja sabia inconcientemente, ele chegou e disse "Penso, logo existo" e colocou o pensamento como cerne da existência, então apartir dai as pessoas começam a se ver como seus pensamento, mas aposto que se perguntar a si mesmo quem sou eu voce não consegue explicar com seus pensamentos, tudo que vai vir a sua mente são qualidades sobre voce e não quem é você, voce vai pensar sou um "cara", "jovem", com "X anos" = Qualidades. Porque estou te falando isso? Porque o seu eu real, aquele que voce deve aceitar que é assim como é, é bem diferente dos seus pensamentos, é mais centrado, lúcido, exato, dificil de acessar. Não atoa quando perguntavam a Buda quem ele era a sua resposta era "Estou desperto". Ele encarava quem não tinha contato com seu eu como alguem que andava dormindo.

Para começar a entender o aspecto do eu, voce precisa entender o conceito de observador, se fechar os olhos vai ver seus pensamentos como em uma tela de cinema né passando em frente a você, faça o teste. Você "vê" os pensamentos, logo eles não são você, são uma ferramenta de analise, mas alguem mais atrás esta observando eles correto? Alguem esta assistindo isso. Esse é o Eu, que passa despercebido pela maioria, mas ai é outra história e recomendo que só vá atras disso se realmente tem interesse em aprender sobre o Eu, e isso vai mudar você, por tanto cuidado.

3
0
3

Eu estou vivendo justamente isso, mas não tenho ideia de como sair dessa. Obrigado pelo post.
Aguardando comentários com dicas e histórias de sucesso (ou fracasso).

3

Seu post é um excelente exercício para todos nós, mas antes de responder, eu proponho que nos façamos algumas perguntas, pois as respostas podem fazer com que o peso de nossas decisões seja mais leve.

Perguntas: O que eu quero da minha vida? Emprego? Life style business? Ser o próximo unicórnio?

O que faz vocês procrastinarem?

  • No meu caso, vida "estável", celular e família. Ninguém tem vida "estável".

Em que momento perceberam que isso estava acontecendo?

  • Emprego "estável". Empresa japonesa, portanto tranquila. Quando eu saia do trabalho, chegava em casa e vivia apenas. Nos fins de semana eu continuava vivendo. Até que um dia discuti com um diretor japones e voltei ao mercado.

Existe alguma estratégia que realmente funcionou para sair desse ciclo?

  • Você nota, que sempre está na mão de alguém, você só precisa escolher em qual mão você quer estar. Se você prefere tomar conta da sua própria vida, melhor estar na mão de seus próprios clientes.

Como vocês conciliam trabalho, estudos, vida pessoal e ainda conseguem tocar projetos próprios?

  • Essa resposta ninguém consegue lhe dar a que você quer ouvir, porque ninguém consegue conciliar tudo sem abrir mão de algo. Eu acordo às 04:00 e até as 08:00 cuido do que creio serem os meus sonhos. Volto a cuidar deles de 19:30 até as 22:00, que é quando minha mulher pergunta: por que esse computador ainda está ligado? De 08:00 ate as 18:00 estou ajudando no sonho de outras pessoas.

A IA ajudou vocês a ganhar tempo ou apenas aumentou a quantidade de trabalho?

  • Aumentou a quantidade de trabalho, mas mudou meu trabalho. Antes eu era dev, agora sou gerente de produto. Claude faz o papel de dev.

Voltando às perguntas:

  • Emprego? Um dia vai acabar. Guarde dinheiro e se possível tenha sonhos. Como dev nos conseguimos uma vida melhor.
  • Life style business? Um sonho. No caso, o meu. Problemas seus, no seu tempo. Seus clientes são seus patrões, mas são mini patrões.
  • Ser o próximo unicórnio? Você volta a ter patrão. Investidores e clientes.

Bem, essa é minha visão disso tudo. Sou casado, um filho de 13 anos, 62 anos, 40 só de TI.

Escrevi isso aqui depois: já ouviu falar da Y Combinator (YC)? Próximo batch encerra dia 27/07. Um bom motivo para parar de procrastinar, US$ 500k por 7% (inicialmente) da sua idéia, sem muitas cobranças (https://www.ycombinator.com/apply)

3

Primeiramente, muito obrigado por compartilhar sua experiência. É muito legal ver a visão de alguém com 40 anos de TI e tanta bagagem. Gostei bastante das perguntas que você trouxe, porque elas fazem a gente refletir antes de sair procurando uma solução pronta.
Me chamou atenção principalmente a parte de que não dá para conciliar tudo sem abrir mão de alguma coisa. Acho que, às vezes, a gente tenta fazer caber 30 horas em um dia de 24 e acaba frustrado quando não consegue.
E essa rotina de acordar às 4h para investir nos seus próprios sonhos mostra exatamente isso: prioridade exige renúncia. É inspirador ver alguém que continua construindo projetos depois de tantos anos de carreira.

3

Eae mano, eu enfrento a mesma coisa mano. São tantas ideias que não saem do papel e afins.
Uma coisa que me ajudou foi apenas ir e meter um belo "foda-se" para o resto.

Deixe eu explicar:

O meter o "foda-se" que eu quero dizer é você ta disposto a aguentar opinião alheia, ver que o seu começo vai ser uma merda, pessoas não vão te apoiar e etc. Tudo isso faz parte do processo do que vc ta criando
No momento em que to procastinando, eu deixo e não faço nada (de verdade, eu fico sem fazer nada mesmo) para a cabeça processar o que ja pensou.
Não tenho muito oq falar, ja que eu erro nos passos tbm. Às vezes essa sensação só vem mesmo e não tem muito que vc conflitar, já que ficaria pior vc tentar acabar com o problema ATIVAMENTE.
É isso, espero ter ajudado.

1

Opa, mano! Valeu pelo comentário. Eu também tento acionar esse modo "foda-se" de vez em quando, e quando consigo normalmente as coisas começam a andar. O difícil é justamente vencer essa briga com a gente mesmo e dar o primeiro passo. Acho que, no fim, começar imperfeito ainda é melhor do que ficar esperando o momento ideal. Valeu por compartilhar a tua visão!

3

Parabéns pela análise!

Realmente esta difícil focar, pois as IAs abriram ainda mais as portas de oportunidades, e conseguir agarrar uma sem tentar agarrar outras está muito difícil.

Porém, em contrapartida, todos projetos menores estou conseguindo finalizar.

Antigamente eu entrava "no flow", começava a criar, e depois de algumas semanas desanimava, como a barreira de codigo caiu, hoje em dia estou lançando 1 ou até 2 projetos pequenos por semana.

Por exemplo essa semana estou lançando duas ideias de 2021, que estavam na gaveta, dois sites de jogos online, hoje é quarta e já terminei ambos, agora só estou criando mais jogos pra completar as bibliotecas antes de comprar os dominios e lançar.

Acho que essa procrastinação está diretamente ligada ao tamanho da ideia e quanto tempo ela vai te demandar. Por isso concluo que a oportunidade está em varios pequenos projetos, mesmo não sendo todos os projetos garantia de sucesso, eles disparam esse gatilho de imediatismo que nossa geração tem e são oportunidades, mesmo que pequenas.

2

Muito interessante esse ponto de vista. Acho que você tocou em um ponto importante: projetos menores dão uma sensação de progresso muito maior. A IA diminuiu tanto a barreira de entrada que hoje é possível tirar ideias antigas da gaveta e colocar no ar em poucos dias.

Me identifiquei com essa ideia de tirar projetos antigos da gaveta. E, como diz a frase: "Não importa o quão devagar você vá, desde que você não pare." Acho que ela se encaixa muito bem aqui. No fim, é melhor avançar um pouco todos os dias do que ficar preso tentando escolher o projeto perfeito. Boa sorte no lançamento dos sites! 🚀

2

O que eu percebo é que a paralisia que você descreveu vem muito de uma proporção invertida: 90% consumo, 10% digestão. Consumir dá sensação de progresso sem o desconforto de produzir, é a procrastinação disfarçada de estudo. E na era da IA isso piorou, porque toda semana tem um lançamento "que muda tudo", e o medo de ficar pra trás te empurra pro próximo vídeo, pro próximo curso, antes de você ter absorvido o anterior.

A execução resolve dois problemas de uma vez: além de fixar o conceito, ela funciona como filtro de hype. Quando você coloca a ferramenta num projeto real, com requisito real, 80% do barulho morre sozinho, o que sobrevive ao contato com a prática é o que valia a pena aprender. O resto era só marketing.

Sobre a tua pergunta se a IA economiza tempo ou aumenta carga: na minha experiência ela economiza tempo de execução, mas move o gargalo pra decisão e julgamento, o que construir, como validar, quando o output tá bom o suficiente. Se você não desenvolve esse critério (que só vem praticando), o tempo economizado vira mesmo só mais ansiedade e mais backlog.

1

Concordo bastante. Acho que hoje a gente vive um excesso de conteúdo. É vídeo novo, ferramenta nova e até "o prompt perfeito" toda semana. No fim, isso mais confunde do que ajuda.

E concordo também que só a execução separa o hype do que realmente faz sentido. Quando colocamos a mão na massa, muita coisa perde a importância. Valeu pela reflexão!

2

Cara, esse texto colou demais — principalmente a parte da "gaveta cheia de ideias que continuam no papel". tenho a mesma gaveta.

Pra mim a virada foi entender uma coisa: não é preguiça, é que a versão pronta que existe na minha cabeça é tão redonda que a primeira versão real (feia, capenga) já parece um fracasso antes de nascer. aí eu não começo — porque começar é aceitar produzir algo pior do que imaginei.

O que tem me ajudado (não é mágica, mas destrava): encolher o primeiro passo até ficar ridículo de pequeno. não é "construir o projeto hoje", é "abrir o arquivo e escrever a pior versão possível de UMA parte". e combino comigo que vai sair feio mesmo. o medo de errar perde a força quando errar já virou o plano.

E tem a ironia da IA que você tocou: ela tirou o atrito do "como fazer" — então o que sobrou exposto foi justamente o atrito psicológico de começar. ficou mais fácil executar e, por tabela, mais difícil justificar não começar. isso pesa.

Sobre a comparação: o que funcionou aqui foi cortar input — menos feed, menos "fulano fez X em 2 semanas". o cansaço diminui quando a régua volta a ser eu de ontem.

Valeu por escrever isso. era o tipo de texto que dá alívio de ler.

1

Cara, valeu pelo comentário! Gostei muito da frase "o medo de errar perde a força quando errar já virou o plano", acho que resume bem essa sensação.
E concordo com você: a IA diminuiu o atrito técnico, mas acabou expondo ainda mais o atrito psicológico de começar. Fico feliz que o texto tenha te passado esse sentimento. Valeu por compartilhar! 🚀