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Me arrependi de ter focado em frontend

Recentemente completei 4 anos de carreira. No começo fui fullstack e sempre adorei isso. Sempre gostei de ser responsável por implementar features de ponta a ponta e ser independente. Isso me valorizou bastante também pois em pouco tempo consegui conquistar espaço dentro do time como alguém que conseguia tocar as coisas.

Durante os últimos 2 anos, no entanto, trabalhei quase que exclusivamente como frontend, pois troquei de empresa e a vaga precisava de alguém focado nisso, enquanto o time de back já estava bem formado. Isso fez eu ganhar muita experiência com front e me afastar do backend. Eu ainda continuava interessado em backend. Seguia estudando e participando das discussões sempre que meu conhecimento em backend permitia contribuir. Agora troquei de empresa novamente e apesar de em teoria terem me contratado como fullstack na prática fui, de novo, colocado na caixinha de frontend. Como eu acabei liderando melhor os projetos de frontend, o rótulo caiu em mim rápido.

Eu nunca escolhi me colocar nessa caixinha. A minha trajetória acabou me levando para um lugar onde cada vez mais vejo que não sou incluído nas discussões de regras de negócio e system design. Mesmo quando sou, o conhecimento sobre a arquitetura e os fluxos do sistema não acabam sendo retidos na minha memória porque nunca sou eu quem precisa implementá-los ou revisá-los. Agora que estou com algum tempo de carreira, sinto cada vez mais falta de ter contato com banco de dados e system design em geral. Sinto que estou deixando de ser importante, pois minhas responsabilidades se resumem cada vez mais a simplesmente implementar as telas. Não estou dizendo que frontend é mais simples, mas que o conhecimento da arquitetura e das regras de negócio é quase sempre irrelevante. Ainda mais agora nesta era de IA, onde nem sequer a qualidade do código que escrevo importa, mas só o visual final, me sinto irrelevante. Sinto também que reclamar sobre isso não faz sentido, pois não é como se o time de backend precisasse de um reforço meu ou como se eu pudesse falar para meu lead "quero que me exclua das tarefas de frontend daqui para frente", porque trabalho é trabalho e precisa ser feito.

Alguém mais passou por algo parecido?

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trabalho é trabalho e precisa ser feito.

Você entendeu o espírito.

A empresa não quer te ensinar, não quer gastar tempo te dando uma tarefa que você não domina se outras pessoas podem fazê-la mais rápido. A empresa quer que você entregue o que você domina de forma mais rápida e é isso.

A partir do momento que você não seja mais tão produtivo você corre o risco de ser cortado. Entre você e um backend de 4 anos quem entrega mais?

Seja necessário no front. Entregue valor onde você está conseguindo e preserve seu emprego.

Em paralelo faça um projeto pessoal, aplique técnicas de arquitetura e system design, estude, erre, concerte, ganhe experiência nesse projeto, coloque no ar, consiga algum cliente para ver ele funcionando na prática, entenda como o mundo real funciona.

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Boa parte da minha vida eu fui backend. Um dia briguei com o designer por conta de 1px. Uma história engracada, atr o dia em que eu precisei atuar como designer pra fazer um sistema. Encarei uma tarefa dificil. Então sofri um pouco. Tive uma situação em que precisei atuar como matceneiro. Depois de ver alguns videos notei algo importante: toda profissao trm suas manias, seus maneirismos. Apesar de escrever codigo, backend e frontend tem suas particularidades. Então se arrependa de nao aprender algo e nao de ter aprendido algo.

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Eu trabalho com desenvolvimento já mais de 15 anos. Entendo que o momento é complicado por conta da IA, mas ela pode fazer o trabalho do frontend e do backend da mesma maneira. Ser especializado que dizer que vc pode conduzir a IA da melhor maneira na sua área.

Também estou focado no frontend e às vezes me bate esse receio, mas eu realmente escolhi focar no frontend nos últimos anos. Por que? Simplesmente porque backend é muito mais estressante e te ocupa muito mais tempo, e geralmente é aquele tempo extra não remunerado. Bugs em prod que são reportados às 18:30, horário que vc já deveria ter parado de trabalhar, mas resolveu ficar um pouco mais pra terminar aquela featue, aí vc precisa resolver porque é urgente. Suporte pra caramba, do nada um monte de ticket de suporte sem nenhum contexto começa a pingar na sua sprint, que já está atrasada. Uma infinidade de logs que vcs precisa analisar pra no fim descobrir que o problema é numa integração com um serviço externo e instável.

Enfim, uma caralhada de coisas que vc precisa se preocupar, e o piir é que o salário é praticamente o mesmo, na mesma empresa geralmente o salário de um backend e um frontend é praticamente o mesmo, uns 10 ou 15 % a mais. O que não paga o tamanho do stress que vc vai ter.

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Tenho uma trajetória bem parecida. Estou há cerca de cinco anos na área e, embora meu objetivo sempre tenha sido atuar como fullstack, minha facilidade em construir interfaces e resolver problemas visuais acabou me levando cada vez mais para o frontend, tanto web quanto mobile.

Também senti esse incômodo de ser colocado nessa “caixinha” e, em algum momento, cheguei a me preocupar bastante com os rumores sobre IA e o futuro da área. Mas, com o tempo, percebi que ainda haverá muito trabalho que exige contexto, senso crítico e responsabilidade. A IA pode acelerar a implementação, mas alguém ainda precisa entender o problema, validar regras, garantir segurança, tomar decisões técnicas e entregar algo que realmente funcione para o negócio.

Acho válido usar o tempo livre para manter vivo esse lado que você sente falta: estudar backend, infraestrutura, arquitetura e banco de dados, mas principalmente aplicar isso em projetos próprios. Pequenos projetos, freelas ou automações podem ajudar bastante a recuperar essa visão de ponta a ponta e evitar que o conhecimento fique apenas na teoria.

E não acho que seu questionamento seja exagerado. Pelo contrário: se preocupar em não ficar limitado a executar telas, querer entender o sistema e buscar mais impacto técnico são sinais de alguém que se importa com a própria evolução. Isso, por si só, já demonstra maturidade profissional.

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Não posso dizer que entendo plenamente o seu sentimento, mas me vejo em uma posição parecida.

Meus hobbies sempre estiveram ligados a tecnologia de forma bem ampla. Além de programação, sempre gostei de explorar áreas diferentes, desde hardware e eletrônica até design, edição de vídeo e outras ferramentas. Quando comecei a trabalhar como desenvolvedor, percebi que o mercado exige um certo nível de especialização e que seria difícil atuar profissionalmente em tudo que eu gosto ao mesmo tempo.

Hoje trabalho como desenvolvedor PHP fullstack, desenvolvendo APIs e aplicações web. Apesar de gostar do que faço, essa função representa apenas uma pequena parte de tudo que aprendi e dos assuntos que me interessam. Ainda assim, procuro entregar meu trabalho da melhor forma possível e buscar crescimento dentro da minha área.

O que me ajudou bastante a lidar com essa sensação de estar limitado profissionalmente foi investir em projetos pessoais sem me preocupar com retorno financeiro imediato. Tenho um canal no YouTube sobre cultura pop, desenvolvi um site para buscar cartas de TCGs, outro para ajudar na memorização de ideogramas japoneses e vários outros projetos que nunca chegaram a ser publicados.

No fim, percebi que não preciso encontrar toda a minha realização profissional em um único lugar. Meu trabalho paga as contas e me permite evoluir na carreira, enquanto meus projetos pessoais me dão espaço para explorar outras tecnologias e interesses que talvez nunca façam parte do meu dia a dia profissional.

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Cara, me relacionei demais! Sempre fui bem generalista desde a escola. Mesmo seguindo pelas áres de exatas na faculdade e carreira, sempre tive um lado de humanas bem forte e adoro ler e discutir sobre filosofia, literatura, história, idiomas, etc.

Às vezes fico de saco cheio de programação e só queria poder exercitar outras coisas. Mas é como você disse, a gente precisa continuar mantendo esse lado vivo no tempo livre enquanto paga as contas, e precisa pagar as contas pra continuar mantendo esse lado vivo no tempo livre. Já pensei em criar um canal no YouTube também pra ventilar, mas a timidez é maior haha. Parabéns pela iniciativa!

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Cara, diferente dos outros comentários eu vou ser bem sincero, não gosto de ficar passando mão na cabeça e dizer q está tudo ok, pq não está.

Olhando o q percebi de seu relato, vc só está sendo encaixado nessa caixinha do frontend pq vc permite isso. Se vc continuar assim, ai q vc não mudará msm. É o problema da passividade onde somos treinados desde criança a aceitar o q nos é imposto. Se vc não aprender a lidar com isso, sua frustração só irá aumentar, e não adianta ficar mudando de emprego, pq vc continuará sendo taxado de frontend pq é o q vc está ganhando expertise a cada trabalho q faz. Se vc quer mudar sua realidade, vc precisa aprender a tomar iniciativa e buscar pelo q vc quer, e não ficar nesse comodismo "porque trabalho é trabalho e precisa ser feito".

Mas tbm não é pra fazer de qualquer jeito, né? É ai q entra a soft skill de negociação. Se não sabe como negociar, comece a aprender agora, pq é uma habilidade boa.

Primeiro eu recomendo fortemente demonstrar interesse nos q os outros do backend fazem, tipo, pergunte o q ele está fazendo, tente entender o q está acontecendo ali, seja curioso. As pessoas acabam reparam de um certo modo. Tbm foque em estudar o sistema por trás, entendendo como é o banco de dados do software, como funciona as regras de negócio, aprenda a tecnologia... dá pra aprender bte coisa só nessa parte.
E por último tem q ser aberto com seu líder e dizer q gostaria de ter mais oportunidade na parte do backend. Peça por tasks menores, mais simples, seja um "junior" nesse momento. Seja mais cara de pau nesse momento e não tenha vergonha de pedir, pois diz q vc gosta disso. E claro, faça. E faça mto bem feito. Não adianta avançar e fazer de qqr jeito.

Lembre, é vc qm faz sua carreira, mais ninguém. Se vc deixou os outros controlarem o q vc precisa fazer a todo momento, significa q vc aceitou a construir isso. Então vc só tem 2 escolhas, ou vc continua se lamentando insatisfeito, vivendo na passividade, ou vc começa a tomar iniciativas para mudar seu curso e aprende a ser uma pessoa mais ativa.

Boa sorte ai no q decidir.

Edit: ah, e saber negociar é diferente de impor. é transformar algo q seja benéfico para ambos. então tome cuidado com isso, sempre tem jeitos de lidar com as situações.

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Aprecio demais o comentário, muito obrigado!

Ao mesmo tempo que quis postar este texto para compartilhar minha experiência, penso que não existe uma saída definitiva. Meu problema não vem exatamente de trabalhar apenas com frontend, mas de trabalhar apenas com uma das pontas. Se minha trajetória tivesse sido inversa, isto é, se tivessem me jogado para o backend, hoje com certeza eu estaria postando o mesmo texto.

A solução pra isso seria conseguir continuar sempre fazendo os dois. Eu sempre valorizei a ideia do profissional em T e hoje foco em ser competente como um fullstack com expertise em frontend. Mas eu entendo que não são todos os lugares que enxergam assim. A ideia de que o fullstack é o pato da programação sempre foi bem disseminada. Muitas empresas, principalmente as maiores, não vão querer te contratar como um faz-tudo, além de que a tendência é que conforme a senioridade cresce também cresce a especialização requerida nas vagas. Na prática, tudo converge para que você seja especialista. Acho que só é possível sair dessa limitação caso se torne tech lead, porque você acaba sendo responsável por auxiliar o time como um todo e gerenciar todas as pontas para garantir as entregas. É exatamente por isso que meu objetivo de carreira é me tornar um tech lead.

Até lá, acho que só tenho que lutar pra conseguir manter espaço no backend, seguindo seu conselho de ser menos passivo.

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O foda é que todos nós temos boletos para pagar e bocas para alimentar.
Nem sempre podemos fazer o que queremos e quando queremos.
Eu espero que consiga de alguma forma alcançar deus sonhos, sucesso ai parceiro.