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Plataformas de saúde no Brasil ainda dependem de planilha e grupo de WhatsApp. Por que ninguém resolveu isso?

Quando comecei a pesquisar o problema que o BloodLink resolve, esperava encontrar concorrentes. Encontrei grupos de Facebook.

A busca por doadores de sangue no Brasil acontece principalmente em grupos de WhatsApp, posts no Instagram e ligações telefônicas para listas de contatos que os hospitais mantêm manualmente. Em 2026.

Não é falta de demanda. Toda semana tem gente desesperada postando em grupos pedindo doador urgente para familiar internado. Não é falta de doadores dispostos. É falta de infraestrutura para conectar os dois.

Por que essa lacuna existe?

Tentei entender isso conversando com pessoas de hemocentros. Algumas hipóteses que surgiram:

O problema é urgente mas disperso. Cada caso é pontual. Não forma uma base de usuários recorrente que justifique investimento de uma empresa maior.

As instituições que poderiam resolver isso têm burocracia que torna difícil adotar tecnologia externa. O hemocentro tem seus processos, seu sistema interno, e integrar algo novo exige aprovação de comitês que levam meses.

Quem sofre o problema agudo (família com parente internado precisando de sangue) não tem tempo nem condição de construir solução. Quem teria condição de construir não viveu o problema com a mesma urgência.

O que isso significa para o BloodLink

O maior obstáculo não é técnico. É convencer instituições de que vale a pena mudar o fluxo que já funciona razoavelmente, mesmo que seja ineficiente.

Ainda estou trabalhando nisso. Mas entender por que a lacuna existe ajudou a entender o que precisa ser resolvido além do código.

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Além dessa lacuna que voce já percebeu existem mais duas, a primeira é financeira, porque alterar algo que ja gera dinheiro agora para a instituição (o sistema legado) por outro sistema que na cabeça deles pode ser que funcione mas vai dar um dor de cabeça grande antes de implantar?

Segunda lacuna, regulação governamental, qualquer coisa que mecha com dados de pacientes precisa passar por diversas regulações e custos extremos pesquise.

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As duas barreiras são reais, mas a regulatória é a que realmente trava um projeto solo. A estratégia que adotei é não armazenar dados sensíveis de pacientes: a campanha é pública, o doador se candidata voluntariamente, o hospital confirma. Sem prontuário, sem histórico clínico, fica fora do escopo mais pesado da regulação. A barreira financeira planejo contornar sendo gratuito no início: o hemocentro não perde o legado, só ganha um canal a mais. O risco é inércia mesmo sendo grátis. Você acha que existe algum incentivo que funcionaria melhor do que preço zero para convencer uma instituição de saúde a experimentar?

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A busca por doadores de sangue no Brasil acontece principalmente em grupos de WhatsApp, posts no Instagram e ligações telefônicas para listas de contatos que os hospitais mantêm manualmente.

E qual é o problema disso?

Eu teria muito cuidado com a leitura de “não encontrei concorrentes”.

Isso não é oportunidade. É sinal de que o problema não existe.

Programador tem mania de ver um fluxo tosco e concluir: “claramente precisa de software”. Nem sempre.

Fluxo feio não é a mesma coisa que problema mal resolvido. Às vezes é a solução ótima mesmo..

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O teste de se um fluxo feio é solução ótima é o resultado que ele entrega. Hemocentros brasileiros entram em situação crítica de estoque todo ano, está no noticiário. Se WhatsApp e lista de contatos resolvia, não precisaria de campanha de emergência em hospital público toda semana. Fluxo tosco que entrega resultado pode não precisar de software. Fluxo tosco que entrega resultado ruim de forma consistente é outra conversa. O argumento de 'não tem concorrente, logo o problema não existe' só funciona se o problema estivesse resolvido. E os estoques críticos mostram que não está. Você acha que o gargalo é engajamento dos doadores ou mesmo a encontrabilidade?

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Ok, o problema de falta de sangue é real, mas daí para a solução ser apenas conectar doadores aos bancos de sangue me parece um pulo bem grande.

Se hoje muita coisa ainda roda no WhatsApp e planilha tem uma chance de existir valor grande em analytics, predição e follow-up.

Em outra palavras, acho que o negocio que existe é menos "uber de sangue" e mais "CRM + WMS para hemocentros".

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CRM + WMS é exatamente o ângulo que eu comecei a enxergar depois de tentar falar com hemocentros. O problema não é conectar doador a campanha pontual: é que o hemocentro não tem visibilidade do histórico, não consegue fazer follow-up, não sabe qual doador está elegível hoje. A plataforma como está é mais um canal de captação do que uma ferramenta de gestão. O pulo para CRM exige integração com os sistemas internos deles, que é onde bate na barreira regulatória. Mas analytics em cima de dados públicos, sem tocar prontuário, já resolveria bastante. O que você acha que seria o dado mais valioso pra um hemocentro ter visibilidade hoje?

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Convencer alguém que existe uma solução pra um problema que não existe não é legal. SE planilhas e grupos resolvem o problema, e resolve DE GRAÇA, tá tudo bem.

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Eu nao vejo assim. Isso é um grande depende. Eu fui chamado para uma empresa de transporte corporativo para criar um sistema pra eles onde eles também usavam planilhas, mas eles perceberam que as planilhas mantinham informações desencontradas.

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Transporte corporativo e saúde têm o mesmo padrão: planilha começou como solução temporária e virou infraestrutura. A diferença é que no transporte o custo de informações desencontradas é operacional. Na saúde pode ser uma vida.

O "depende" é verdade, mas o problema no setor de saúde é que ele nunca se resolve: os incentivos para digitalizar são fracos porque quem decide o sistema geralmente não é quem sofre com a ineficiência. Você encontrou esse obstáculo na empresa de transporte também, ou lá a dor era visível para quem pagava pelo sistema?

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Voce tem razao, o resultado final muda bastante. No meu cenário a motivação foi o dono/presidente da empresa deletar quase todas as planilhas, cof cof, sem backup, cof cof.

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Clássico. Às vezes o estrago involuntário resolve o que a boa vontade não consegue. A planilha sumindo sem backup é o tipo de coisa que convence até quem resistia a qualquer mudança.

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O teste de 'o problema existe' não é 'tem ferramenta?' mas 'o resultado é aceitável?' Hemocentros brasileiros entram em alerta de estoque crítico todo mês. Se grupos de WhatsApp resolvessem, esse alerta seria raro. O problema não é o fluxo ser feio, é o fluxo não conseguir manter estoque suficiente de forma consistente. Planilha e WhatsApp resolvem comunicação pontual, mas não criam base de doadores recorrentes, que é o que qualquer hemocentro precisa. Você acha que o gargalo é volume de doadores no Brasil ou conseguir acionar os que já doam com regularidade?