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Burnout em tech: a gente fala sobre isso ou ainda é tabu?

Burnout em tech é comum. Todo mundo conhece alguém que passou por isso ou passou por isso. Mas ainda é um assunto que tem resistência em ser discutido abertamente, especialmente no ambiente de trabalho.

Por que o setor de tech é propício

Cultura de produtividade. "Eu trabalho 60 horas por semana" ainda é dito com orgulho em certos ambientes. O valor pessoal misturado com output profissional é uma mistura problemática.

Projetos sem fim. Diferente de construção civil onde a obra termina, software sempre pode ser melhorado. Não existe "pronto". Isso cria um loop de insuficiência permanente.

Síndrome do impostor. Tech tem uma das maiores taxas de síndrome do impostor de qualquer área profissional. Sensação constante de que você não é bom o suficiente é combustível para burnout.

O que sinaliza antes de chegar lá

Perda de interesse em problemas técnicos que antes eram interessantes. Dificuldade de concentração em tarefas simples. Irritação desproporcional com obstáculos pequenos. Sensação de que nada do que você faz é suficiente.

O que funciona (na experiência de quem passou)

Limite físico de horas. Não como regra de empresa, mas como prática pessoal não-negociável.

Separação de identidade. Você não é o seu código. O produto não é você.

Conversa com alguém de confiança antes de virar crise.

A pergunta aberta

Vocês falam sobre isso no trabalho ou ainda é assunto para depois do expediente com amigos?

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Meus 2 cents,

Por coincidencia, ontem conversei brevemente com um amigo sobre isso.

Tinha algum tempo que nao nos falavamos, e durante a conversa fiquei sabendo que ele se aposentou por conta de burnout (apos varias idas e vindas de afastamento).

Ele era um gerente senior - trabalhava em um Multinacional e cuidava de projetos no Brasil e exterior, e tinha de estar sempre disponivel independente de fuso horario: america, europa, asia: o burnout pegou de jeito.

E vejo que a IA acaba contribuindo com isso: a gente acaba se sentindo pressionado a seguir o ritmo do agente de codificacao, o que eh humanamente impossivel.

Enfim, eh isso: procurar ajuda (p.ex. psiquiatra - que pode ajudar com medicacoes para a quimica do cerebro) quando se sentir sobrecarregado nao eh fraqueza, eh medida necessaria.

Saude e Sucesso !


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Que exemplo pesado o do seu amigo. Gerenciar projetos em três fusos sem parar é o tipo de coisa que drena qualquer um, e parece que o sistema estava estruturado pra ele nunca desacelerar.

Esse ponto sobre IA é real. Às vezes fico olhando pro agente codificando e pensando 'tenho que revisar tudo isso agora' - cria uma pressão implícita que antes não existia. A velocidade de output aumentou, mas a capacidade de absorver não.

Concordo com a parte do psiquiatra. Ainda tem estigma grande em tech, onde a narrativa padrão é 'trabalhe mais e resolva'. Mas quem passou por burnout real sabe que não é questão de força de vontade.

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Acho que nunca cheguei perto de ter um burnout, por dois motivos:

1 - Sempre separei o cérebro entre trabalho e casa. Nunca fui de ficar pensando em casa nos problemas do trabalho estando fora dele, me distraio com o que for necessário. Ter um hobbie ou uma atividade paralela, tipo um voluntariado, ajuda bastante nisso.

2 - Quando me eduquei financeiramente, afastei qq possibilidade de burnout. Quando aprendi a ter uma reserva de emergencia real, que me garante no mínimo 6 meses do estilo de vida atual, isso me trouxe uma paz que permite pensar: "Se esse trampo ficar me enchendo o saco, peço as contas!". Saber que teria no minimo, 6 meses para procurar um novo emprego decente, te tranquiliza ainda mais.